Só dinheiro não basta para construção de bacia no Aricanduva

O governo do Estado investirá R$ 558 milhões num novo pacote de obras para reduzir as enchentes na região metropolitana de São Paulo. Para aumentar a vazão dos Rios Tietê e Pinheiros, serão retirados de seus leitos 2,8 milhões de metros cúbicos de sedimentos. Muros de contenção de 1,5 metro de altura serão construídos nas laterais da calha do Tietê, em alguns pontos, para impedir que as águas do rio invadam as pistas da marginal, principalmente nos trechos onde elas foram rebaixadas para permitir a passagem de caminhões sob as pontes. Além disso, bombas serão instaladas para a retirada das águas.

Fonte: O Estado de S. Paulo

Essas obras e um piscinão na Bacia do Pirajuçara deverão ser entregues até dezembro. Valas, que funcionarão como córregos paralelos ao Tietê, sistemas de transferência de água entre o rio e a Bacia do Aricanduva – para evitar a inundação das ruas do bairro -, outros seis reservatórios e obras de proteção às várzeas do Tietê completam o pacote.

Especialistas em engenharia hidráulica e sanitária ouvidos pela reportagem do Estado afirmam, porém, que isso tudo pode não ter os resultados que se espera, pois um dos problemas não mencionados é a necessidade de mudanças de comportamento da população. Como lembrou o professor de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) José Rodolfo Scarati Martins, esta é uma das causas de inundações que nenhuma engenharia resolve.

Obras de engenharia, como os piscinões e o desassoreamento dos rios, têm vida útil limitada, por causa da quantidade cada vez maior de lixo atirado nas ruas, em áreas livres e nos leitos dos rios e córregos. Para piorar a situação, a legislação ambiental não acompanhou o desenvolvimento da cidade. Dessa forma, sem regras estabelecidas e sem clara consciência dos males acarretados por seus atos, as empreiteiras, nos bairros nobres, e os loteadores clandestinos, na periferia e áreas de mananciais, fazem serviços de terraplenagem sem preocupação com a erosão e com as toneladas de detritos que, a cada chuva, correm para os rios, contribuindo para o assoreamento.

Há muitos anos, os governos do Estado vêm considerando prioritário o controle das cheias. No ano passado, R$ 388 milhões foram reservados para o Programa de Infraestrutura Hídrica e Combate às Enchentes, dos quais R$ 259 milhões para a região metropolitana.

O programa incluiu desde o trabalho de desassoreamento de córregos até a instalação de um Sistema de Previsão e Alerta de Enchentes, inovação que lançava mão de alta tecnologia para a prevenção e o controle das inundações, pois permite o cruzamento de dados enviados pelo radar meteorológico com as informações emitidas pela rede de monitoramento das represas, dos cursos de água e dos reservatórios. Essa transmissão de dados é feita em intervalos de dez minutos para uma central de processamento, onde são analisados e, conforme o resultado, enviados às subprefeituras e demais órgãos responsáveis pelo atendimento às vítimas das enchentes.

Apesar disso, na atual temporada de chuvas, as populações de São Paulo e da vizinhança voltaram a sofrer.

Em janeiro, quando grandes áreas da cidade ficaram inundadas e o Rio Tietê invadiu as pistas da marginal, o governo do Estado anunciou investimentos que, somados aos já comprometidos, chegavam a mais de R$ 1 bilhão.

Um dos grandes desafios para a engenharia, segundo especialistas, é o de conter ou reduzir o excesso de escoamento superficial das águas numa cidade de topografia acidentada, e onde o solo foi quase que completamente impermeabilizado. Seria preciso, para isso, aumentar as áreas de várzeas e de infiltração de água de chuva no solo, além, evidentemente, de concluir as obras previstas no pacote lançado pelo governo do Estado.

Mas, paralelamente, a conscientização da população, a firme implementação da legislação ambiental e um melhor planejamento urbano têm que dar sua contribuição para aliviar o drama das enchentes.




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