Baseado em movimento de Shopping Aricanduva, Metrô-SP adapta pontos comerciais

O Metrô de São Paulo recebe um fluxo diário de aproximadamente 4 milhões de pessoas. É um enorme público consumidor para os cerca de 330 pontos de venda disponíveis nas 64 estações da malha metroviária paulistana, entre lojas e quiosques promocionais. A título de comparação, um centro comercial paulistano como o Shopping Center Norte (no bairro da Vila Guilherme) – um dos dois maiores da capital paulista, ao lado do Shopping Aricanduva – recebe cerca de 150 mil pessoas no mesmo período.

O perfil dos passageiros é principalmente de usuários das classes C e D, mas há também integrantes das classes A e B, como explica Aluizio Gibson, gerente de negócios do Metrô paulistano. Segundo ele, pontos de venda estão sendo unificados para abrigarem empreendimentos de maior porte, em especial franquias. Em alguns anos, a expectativa é trocar as lojinhas atuais por vitrines de marcas mais conhecidas.

Isa Gernania Andrade Silveira, consultora da Avance Franchising, avalia que há poucos negócios do gênero atuando no Metrô de São Paulo e atribui isso ao fato de que a maior parte das franquias são voltadas para as classes A e B. “Pelo crescimento da classe C, pode-se dizer que isso é um erro”, afirma.

Segundo dados do Metrô, 64% dos usuários pertencem às classe B1, C1 e C2; 34% às classe A e AB; e 2% às classes D e E.

Um fator que dificulta a atuação de franquias, no entanto, é o espaço reduzido que muitos dos pontos possuem. Gibson explica que tem interesse em trazer franquias e redes de lojas para os pontos comerciais do Metrô, por julgar que esses negócios tendem a oferecer um serviço de melhor qualidade. “O que antigamente era uma área pequena, com duas ou três lojas num mesmo espaço, estamos unificando à medida do possível”, explica. Com espaços mais atraentes, a expectativa é trazer mais lojas franqueadas.

Chegando às classes C e D
Algumas empresas, no entanto, já vêm aproveitado o potencial comercial do Metrô, como a Gol Linhas Aéreas. Fundada em 2001, a companhia cresceu ao entrar no mercado com preços atraentes para voos domésticos, competindo até mesmo com o transporte rodoviário. “Hoje, é uma realidade: se o passageiro comprar uma passagem de avião com antecedência, vai chegar no Nordeste em duas ou três horas em troca de uma viagem de ônibus que demoraria dois ou três dias, incluindo várias paradas e o custo de alimentação”, explica André Matos, gerente comercial da Gol no setor da nova classe média.

Ele destaca que desde 2007 as classes C e D passaram a representar 57% do consumo interno. A empresa percebeu que havia um grande público potencial para seus voos, ao qual meios de venda de passagem como o site da companhia não chegavam. “São pessoas que precisam de intermediação humana na hora da compra”, explica. A estratégia criada, então, foi abrir pontos de venda em locais de grande fluxo de pessoas das classes C e D.

“São Paulo tem uma malha de Metrô que integra bem a cidade e têm um fluxo diário de passageiros absurdo. Um shopping center ou uma loja de varejo dificilmente terão um fluxo tão grande”, compara. Hoje, além de lojas em shoppings populares, a Gol tem quatro quiosques funcionando no Metrô de São Paulo, onde são fechados 100 negócios por dia cada um.

Matos explica que 10% do público que voa com a Gol é composto de passageiros de primeira viagem. “Nas lojas, esse número sobe para 25 a 40%”, destaca, como sinal de sucesso da estratégia de atração de novos clientes.

Ele conta que muitos clientes vão em busca de passagens para visitar suas famílias no Nordeste, mas que tem observado cada vez mais integrantes das classes C e D fazendo viagens a turismo.

Como montar sua loja no Metrô
O gerente de negócios do Metrô, Aluizio Gibson, explica que os pontos de venda são disponibilizados através de licitações públicas, que acontecem conforme são abertos novos espaços ou outros ficam vagos. Nas licitações, são especificados exatamente qual loja ou grupo de lojas estão disponíveis. Às vezes, há um direcionamento do tipo de negócio que deve ser aberto no local – mas há também pontos sem especificações desse tipo. “Quando vemos que há uma vocação para papelaria ou para uma farmácia num ponto de venda, determinamos o ramo de atuação do ponto”, explica.

Os editais são publicados no Diário Oficial da União e no site do Metrô, com periodicidade variável. Em alguns casos, as licitações podem ser divulgadas também por meio de outros veículos.

Fonte: Portal Terra




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